Bitucas nas praias e nas ruas: risco à saúde e ao meio ambiente

São Sebastião-07/04/2022 - O espaço de gastronomia Brasileira Gourmet está engajado no desafio de educar para o descarte correto de bitucas de cigarro. De agosto de 2019 a fevereiro de 2022, a lixeira especial instalada em frente ao restaurante, no centro histórico de São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo, coletou 9.700 bitucas, conforme balanço feito pela consultoria Flow Sustentável.

Foram quatro quilos a menos de lixo tóxico na natureza, quantidade encaminhada pelo Brasileira Gourmet para reciclagem até fevereiro deste ano e transformada em outros produtos. O sucesso dessa ação e do plano de manejo de resíduos do restaurante se dá pela colaboração dos usuários. A Poiato Recicla é a responsável pela reciclagem mensal dos resíduos, depositados por fumantes no coletor especial. A empresa transforma o resíduo em massa celulósica, utilizando uma tecnologia 100% nacional desenvolvida pela UnB-Universidade de Brasília, que retira a toxidade do material e acelera sua decomposição. Com isso, a massa celulósica obtida no processo de reciclagem é reutilizada para produção de outros materiais, como cúpulas de abajur, cadernos e agendas.


Consideradas hoje o lixo mais comum encontrado nas praias ao redor do mundo, as bitucas provocam sérios danos ambientais. Geram um microlixo ingerido acidentalmente por pássaros e tartarugas, sem contar a poluição química. Uma única bituca jogada no chão, nas praias e nos cursos d’água pode emitir mais de 7000 substâncias nocivas à saúde. Mil bitucas contaminam 500 litros de água. Outro grave problema é que o filtro dos cigarros é feito de acetado de celulose, material plástico que leva cerca de 10 anos para decomposição na natureza.


Massa celulósica extraída do acetado de celulose da bituca de cigarro.

Para Adriana Saldanha, chef de cozinha e proprietária do Brasileira Gourmet, “os restaurantes podem orientar e oferecer alternativas para o descarte correto desses resíduos, reduzindo o lixo deixado em calçadas e na areia das praias. Esse é um compromisso nosso para o meio ambiente e a saúde das pessoas”.





O quarto relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre tendências globais do tabaco, divulgado em 2021, aponta que existem 1,3 bilhão de usuários de tabaco no mundo, em comparação com 1,32 bilhão em 2015. Espera-se que esse número caia para 1,27 bilhão até 2025. Além dos impactos ambientais dos resíduos tóxicos dos cigarros, a OMS afirma que o tabaco mata 8 milhões de pessoas por ano, no mundo. Um problema que exige mudança de atitude, ações educacionais e políticas públicas.




Texto: Angela Santos/abril 2022.